fbpx
Compulsão: é hora de cortar os fios que ainda nos dominam
24 de outubro de 2016
Álcool: o que há por trás de cada copo?
25 de outubro de 2016

Anorexia e Bulimia: precisamos falar sobre isso

Leia mais.

24 (1)

Publicado em 24/10/16

Introdução 

(semelhante a das redes sociais) 

Querro conversar com vocês sobre a anorexia e bulimia. Dois transtornos – não apenas alimentares, mas também emocionais – ligados à distorção da autoimagem.

A preocupação em apresentar o que consideram um “corpo perfeito” se torna uma obsessão a ponto de interferir brutalmente na alimentação levando a pessoa a atos extremos no seu relacionamento com a comida e com o próprio organismo, impactando corpo, mente e espírito.

Somos bombardeados por uma mídia que prega uma ditadura da beleza, da moda e da estética, deixando de lado o mais importante que é compreender que não se trata de “ser magro”, mas sim “ser saudável”, estar de bem com o seu biótipo, trabalhar em favor dele, e não em prol de uma cultura que dita regras de como você deve agir, vestir ou comer.

A forma como nos percebemos, como compreendemos o mundo ao nosso redor, tem muito a ver com a relação que estabelecemos com a maneira como enxergamos a comida. Muitos lidam com ela como um espelho emocional de seus questionamentos quanto à vida e a si próprio.

Seja o ato de não comer nada, ou o medo extremo de ganhar peso, seja a prática de comer compulsivamente e depois expelir tudo o que foi ingerido. Novamente, retomo aqui o que lhes disse pela manhã: os nomes das práticas podem diferir, mas o estímulo psíquico se assemelha.

Por muito tempo jovens sofreram em silêncio, com vergonha de sua fragilidade, de quem se tornaram, vivendo escondidas em seus quartos, distante da família, dos amigos… muitas à espera de alguém que pudesse as ouvir mesmo em meio a um silêncio quase que mortal. Por conta da forma com que o mundo externo as olhavam, muitas se calaram, quando na verdade o que mais precisavam era falar sobre isso! É um intenso trabalho, que envolve muitas vezes uma equipe multiprofissional.

Obrigar a comer não basta. É preciso ir ao fundo da questão. Ouvir cada uma destas pessoas, compreender seus medos, seus anseios e entender em que ponto da jornada a comida se tornou como um veneno para elas. Se colocar no lugar do outro, para então intervir.

Julgar é fácil. Afinal, a dor do outro pode ser ínfima, se comparada a nossa. Se você pensa assim, acreditem: fragilidades e dores não se comparam, pois o impacto sobre o ser humano é o mesmo, seja uma unha encravada, seja um corte na carne. Para o ser humano que sente, nenhuma dificuldade deve ser vista como banalidade.

Sempre devemos pensar que nosso real valor vai além de nossas aparências, que o corpo é importante, mas o equilíbrio corpo-mente-espírito é muito mais! Como diz a sabedoria popular moderna, um corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz de verdade dentro dele.

Vamos compreender melhor os mecanismos de cada um destes distúrbios.

Anorexia nervosa

A anorexia nervosa é identificada por uma perda de peso, normalmente muito rápida, e também pelo peso normal por longos períodos. A doença está profundamente ligada à distorção da autoimagem, à prática de regimes alimentares severos, ao sentimento de culpa após as refeições, e à prática exagerada de atividades físicas.

É tanto um transtorno alimentar, quanto um transtorno emocional, e falo isso porque a perda extrema de peso deriva de um intenso temor da obesidade. Há também a incidência de predisposição genética, que contribui para que esse caso ocorra. Mas, como sabemos, a maioria destas jovens se sentem intensamente pressionadas por padrões impostos pela grande mídia, onde modelos ilogicamente magras fazem com que inúmeras meninas parem de comer até chegar ao modelo de beleza “imposto”. O resultado é uma gradativa deterioração física e mental, que se inicia com sintomas leves, como a queda de cabelos, até complicações cardiovasculares, renais e endócrinas, que se tornam tão graves e podem levar à morte.

Aquelas que aspiram trabalhar em atividades que enfatizam o estado de magreza do corpo se tornam alvo desse problema, assim como pessoas que estavam muito acima do peso e se tornam obsessivas por práticas frequentes de dietas. Tudo isso, se combinado com uma baixo estima, perfeccionismo, insegurança e dificuldade em identificar ou expressar sentimentos, são fatores bomba para que, as mulheres principalmente, se preocupem tanto com o peso, que passam a apresentar o Transtorno Disfórmico, pois constantemente se veem com muito mais peso do que realmente têm.

Paulatinamente, a pessoa começa a apresentar sintomas preocupantes, como sentimento de culpa ou depreciação por ter se alimentado, indícios de hiperatividade, irritabilidade, tristeza, insônia, que se dão devido às alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente na concentração de serotonina e noradrenalina. Além disso, a perda de menstruação e a excessiva sensibilidade ao frio também são sintomas da Anorexia Nervosa.

É preciso identificar rapidamente e pedir ajuda, caso alguém conhecido apresente algum desses sintomas. Se a pessoa está “pele e osso”, não hesite em se fazer útil! Compreender, ouvir, auxiliar, intervir em prol de encontrar meios que auxiliem a pessoa a compreender que precisa de suporte e buscar transformação do quadro que ela vivência.

O índice de mortalidade está aí para comprovar o perigo. A anorexia pode ser mais letal que a depressão! De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) (*) o número de pessoas, em todo o mundo, que têm algum tipo de transtorno alimentar chega à casa de 70 milhões! O índice de mortes decorrentes dessas doenças está entre 18% e 20%. Só isso já é sinal de alerta suficiente. Atualmente se manifesta principalmente em mulheres jovens e em uma parcela de homens. É preciso ter muito cuidado, pois muitas vezes anoréxicos chegam ao estado de caquexia, um grau extremo de desnutrição.

Um estudo (**) da Universidade de Leicester, na Inglaterra, aponta que a anorexia é a doença psiquiátrica mais letal, porque aumenta em seis vezes o risco de morte, o equivalente a quatro vezes o índice de mortalidade por depressão! E em pessoas diagnosticadas com anorexia antes dos 20 anos, os prognósticos são mais sérios. Esses pacientes têm 18 vezes o risco de morte de pessoas saudáveis ​​de sua idade. Ainda segundo a pesquisa, a bulimia e demais transtornos alimentares também têm uma elevada taxa de morbidade. Cerca da metade dos óbitos relacionados à anorexia decorrem de complicações devido à falta de comida, inclusive danos no coração e em outros órgãos.

Bulimia

Já a bulimia nervosa é uma doença psíquica que se caracteriza por episódios em que se perde o “controle” e ingere uma quantidade absurda de alimentos às escondidas, levando a um profundo sentimento de remorso, que leva a pessoa provocar vômitos ou fazer uso indiscriminado de medicamentos como laxantes e diuréticos, assim como jejuns prolongados ou a prática exaustiva e preocupante de atividades físicas. Isso é perigoso pelo fato de que resulta em inúmeras complicações para o organismo, como a destruição do esmalte dos dentes, inflamação na garganta, sangramentos, problemas gastrintestinais, arritmias cardíacas, desidratação, entre tantos outros.

Esse transtorno mental apresenta episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos, do mesmo modo que a Compulsão Alimentar, ou seja, pessoas que sofrem de Bulimia comem um excesso de alimentos com frequência e depois se sentem mal, culpadas e tristes. Diferentemente da Síndrome do Comer Compulsivo, elas tomam medidas inadequadas quanto a essa culpa, sendo a indução de vômitos a forma mais utilizada.

Indo ao oposto da Anorexia, a magreza não é o fator de reconhecimento dessa doença. Geralmente as pessoas que têm Bulimia apresentam corpos esculturais e cuidam dele de forma obsessiva, seguindo dietas rigorosas e condutas exageradas sobre a própria beleza.

A Bulimia começa quando, de repente, elas perdem o “controle” e ingerem uma quantidade absurda de alimentos às escondidas, o que as leva a sentir um remorso absurdo e assim, se utilizarem de métodos para vomitar, ou usarem laxantes e diuréticos, assim como jejum prolongado ou a prática exaustiva e preocupante de atividades físicas. Isso é perigoso pelo fato de que resulta em inúmeras complicações para o organismo, como a destruição do esmalte dos dentes, inflamação na garganta, sangramentos, problemas gastrintestinais, arritmias cardíacas, desidratação, entre tantos outros. Apesar disso, não chegam ao estado de caquexia na qual pessoas anoréxicas alcançam, pois a preocupação com a estética corporal é bem maior.

Aliás, esse é o problema-chave para os dois transtornos. Os padrões de beleza atuais, e a rejeição social à obesidade feminina, fazem com que as jovens sintam uma necessidade incontrolável de estar tão magras ou “perfeitas” quanto as Top Models, fator que a publicidade e a grande mídia vendem como glamuroso e a meta a ser seguida para conseguir um parceiro (a), ou para ter sucesso na vida.

Nada contra um corpo magro, mas como disse inúmeras vezes, os excessos são perigosos e a saúde deve vir sempre em primeiro lugar. Muitas dessas pessoas não têm nenhuma qualidade de vida digna de querer ser o que muitas garotas sonham, pois é um sofrimento diário para atingir as expectativas! Se você conhece alguém que possua esse problema, ou se possui, procure assistência médica! E lembre-se: criticar nunca é a solução. Tratar pessoas que apresentam distúrbios alimentares é um passo em falso, pois elas precisam de amor e compreensão nessas horas!

O tratamento para esse tipo de transtorno passa pelas questões emocionais, então precisa ser multidisciplinar. Os efeitos desses transtornos à saúde física são devastadores, mas por mais que haja algum desequilíbrio orgânico que cause alguma obesidade real, é preciso tratar a psique. Quando se percebe uma dificuldade com relação à autoimagem, é importante buscar um auxílio de um profissional de psicologia ou de psiquiatria, para evitar que isso se tome proporções de um distúrbio grave, com consequências clínicas. Sempre devemos pensar que nosso real valor vai além de nossas aparências, que o corpo é importante, mas o equilíbrio corpo-mente-espírito é muito mais! E que, como diz a sabedoria popular moderna, um corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz de verdade dentro dele.

 

 

WhatsApp chat