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NOVEMBRO_AZUL

Publicado em 17/11/16

Um sinal de alerta importante para o cuidado da saúde do homem é que o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte no País por câncer entre homens, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. A estimativa é que em 2016, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), sejam diagnosticados 61 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil, sendo estimadas mais de 13 mil mortes este ano no Brasil. Em âmbito mundial, também é o segundo câncer em incidência e o quinto em mortalidade nos homens.

As causas ainda são consideradas desconhecidas, mas é uma doença que possui tendências genéticas, ou seja, as chances de desenvolver a doença aumentam em até 50%, se houver algum caso na família. Mas, lembre-se: busque evitar hábitos – sobretudo alimentares – nocivos, que possam vir a ligar o “botão” do gene da doença. A comida deve ser sua aliada, não sua algoz.

O estilo de vida também influencia muito, além da falta de checkup, pois se o diagnóstico for precoce, mais chances de cura o indivíduo possui. O câncer de próstata é perfeitamente curável e sem sequelas se descoberto em tempo e querendo ou não, o exame do toque retal é a estratégia mais eficiente que temos atualmente. O bom do diagnóstico precoce é que esse tipo de câncer cresce lentamente, sendo o risco de morte baixo (em 10 anos não passa de 7%), só que mesmo com todas estas estatísticas ainda é a doença que mais acomete homens.

Daí, nada mais sugestivo do que falar sobre o movimento Novembro Azul. Ele surgiu primeiramente na Austrália, em 2003, durante as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17/11), e no Brasil, a campanha foi idealizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida. O objetivo principal é conscientizar os homens da importância da realização de exames específicos para detectar o câncer de próstata.  Mais de 95% dos casos são diagnosticados em fase avançada, devido ao temor quanto ao exame de toque! É perceptível que, vencendo o preconceito, aumentam-se as chances tanto de detectar a doença em estágio inicial quanto de obter a cura!

O câncer de próstata pode apresentar sintomatologia variada: hesitar ou se esforçar muito para urinar, jato de urina fino ou que se interrompe, incontinência de urgência e esvaziamento incompleto da bexiga podem ser sinais/sintomas.

Quando falamos no tipo “próstata”, é preciso resgatar o conceito do câncer. Trata-se de um conjunto de doenças e pode acontecer por inúmeros motivos, mas também pode ser prevenido! Em uma ordem dos que mais atingem a população está o câncer de pele, tumor na próstata e câncer de mama, mas felizmente há um jeito muito eficaz de impedir que isto aconteça. Parafraseando o pai da medicina, Hipócrates, “que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”.

A primeira coisa que temos que ter em mente é que alguns tipos de alimentos podem fornecer o tipo de “ambiente ideal” que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar, ao ingerirmos por muito tempo. Eles devem ser evitados ou consumidos moderadamente, mas se há casos de câncer em sua família, seria uma boa ideia começar a excluí-los da sua lista de compras. Dentre o grupo cancerígeno, estão os alimentos ricos em gordura, como é o caso de muitas carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, linguiças, mortadelas e outros. Além destes, temos os que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, como os nitritos e nitratos utilizados para conserva (de picles, salsichas, alguns embutidos e enlatados), que se transformam em nitrosaminas no estômago e tem ação carcinogênica potente que pode levar ao câncer nesse órgão.

Outro exemplo é o consumo de alimentos preservados em sal que também estão relacionados ao câncer de estômago, em regiões onde se consome com frequência comidas como carne de sol, charque e peixes salgados. Checar a quantidade de sódio nas tabelas nutricionais dos produtos é sempre aconselhável na hora de comprar algum produto e usar outros temperos na hora do preparo pode ter um peso significante na prevenção! Uma alimentação pobre em fibras, por exemplo, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos, está ligado ao desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, uma vez que sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera e favorece uma exposição mais demorada da mucosa dos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo do intestino. Um destino parecido acontece com altos teores de gordura que podem alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco de câncer de mama e próstata. Ou seja, a alimentação é a chave. Um dos nossos bens mais preciosos é o nosso corpo, então por que não tomar conta dele adequadamente? Uma alimentação e hábitos saudáveis podem mudar todos esses riscos que corremos, e não é melhor largar o fast food, comidas enlatadas, industrializadas e o sedentarismo, do que contrair câncer? Pensem nisso!

Um outro fator de risco evitável importante é o tabagismo. Segundo cientistas norte-americanos da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia em São Franscisco, os fumantes com diagnóstico de câncer de próstata correm mais risco de desenvolver tumores agressivos e maior probabilidade de morrer da doença do que os não fumantes. Os homens que fumavam na época do diagnóstico demonstraram ter 61% mais chances de morrer por causa do câncer de próstata e 61% mais chances de o câncer voltar em comparação com os que nunca fumaram.

No entanto, a estatística não vale para quem abandonou o hábito 10 anos ou mais antes do diagnóstico de câncer de próstata. Eles demonstraram ter risco de recorrência e de morte similares aos dos homens que nunca fumaram, destacou o estudo publicado pelo “Journal of the American Medical Association”. A pesquisa examinou 5.366 homens diagnosticados com câncer de próstata entre 1986 e 2006. Durante este período, foram registrados 1.630 mortes, 524 (32%) devido ao câncer de próstata e 416 (26%) de doença cardíaca.

E quando se fala de câncer de próstata, uma das linhas de pensamentos mais controversos é o da sua possível ligação com reposição hormonal de testosterona. Porém, segundo estudos do Dr. Abraham Morgentaler, urologista e professor da Universidade Harvard, a taxa de incidência de câncer de próstata nos homens que recebem a terapia de testosterona foi de cerca de 1% ao ano. E a taxa é a mesma em homens da mesma idade, porém sem realizarem a reposição. Ou seja, segundo ele, não há nenhuma evidência de que a terapia com testosterona possa gerar uma taxa inesperadamente alta de câncer de próstata.

Uma análise de dezoito estudos prospectivos publicada no Journal of the National Cancer Institute em 2008, com 3 mil homens com câncer de próstata e 6 mil sem câncer de próstata (grupo de controle), avaliou os níveis de testosterona total, livre e outros andrógenos, e não encontrou nenhuma correlação entre câncer de próstata e os hormônios estudados.

Mesmo assim, é importante observar os fatores de risco reais para o surgimento do câncer de próstata. Como eu costumo dizer, a genética pode não ser favorável, mas se nosso comportamento não acionar o “gatilho” do problema, as chances adoecer são drasticamente reduzidas. Bons hábitos sempre farão bem à sua saúde. No próximo post, vou detalhar sobre os fatores de risco, e como evitar que eles sejam o seu grande algoz.