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25.11_como dormir melhorEnfim, chegamos ao momento que todos esperavam: como dormir melhor? Ao longo da semana pude esclarecer o assunto de diversos ângulos, como os meios para evitar episódios de insônia, a importância de praticar estratégias de relaxamento e procedimentos para alcançar uma boa noite de sono. O que trago na noite de hoje é o fechamento desta nossa série sobre sono, na qual exploramos as seguintes frentes:

A Melatonina

Notei que quando introduzi o tema muitos logo trouxeram questionamentos sobre a melatonina – conhecida como o “hormônio do sono” -, produzida naturalmente pelo nosso organismo, numa glândula presente em nosso cérebro chamada “pineal”.

Primeiro é preciso entender que para haver a indução da melatonina é preciso estar em um quarto escuro e silencioso! No caso de luz incidir sobre a retina pode haver inibição da produção do hormônio, porque que a claridade pode interferir que o nervo óptico e as demais conexões neuronais levem até a glândula pineal as informações necessárias para a “fabricação” dela. O período em que ocorre sua formação compreende normalmente entre às 2h e 3h da manhã – isso em um ritmo de vida normal. Quando há muita quantidade de melatonina em nosso organismo há um aumento significativo de sono, e do contrário, a tão temida insônia.

Por isso, sem a melatonina, a qualidade do nosso sonho decai drasticamente, e nós não atingimos o estado de sono profundo, o que impede a secreção de hormônios importantes como o HGH, a insulina e principalmente, a leptina que trabalha com a nossa saciedade. No que isso tudo acarreta? O indivíduo não dorme direito, não descansa, não fortalece sua imunidade, não queima gordura e não ganha músculos, além de perder a memória mais facilmente e ficar com uma fome incontrolável.

Observei relatos de pessoas que experimentaram melatonina e notaram uma “moleza pela manhã”. Isso acontece porque pode ser que não haja a indicação da melatonina para elas. Cada ser humano é único e, o que serve para você, pode não ser o que o seu vizinho necessita, portanto, não se automediquem.

Outro fator que pode levar a este estado é a dosagem ingerida estar errada, haja vista que existem disponíveis doses que estariam de 30 mg até 300 MCG. Procure sempre a menor dose terapêutica eficiente para conseguir manter o sono e acordar leve e espontaneamente. Outra opção, para quem dificuldade no uso da melatonina (ou acesso a ela), é o uso do próprio 5 HTP, o “5-hidroxitriptofano”, um aminoácido natural de ação semelhante ao triptofano, que é um precursor do neurotransmissor serotonina.

É necessário procurar um médico ou um nutricionista, que seja capaz de te ajudar com essa orientação e prescrição, recomendando uma dieta rica em alimentos com triptofano.

Agora, a melatonina normalmente não é capaz de indução de sono em casos graves de insônia, pois não é psicotrópico, mas ela garante a manutenção do seu sono profundo. Alguns casos realmente deverão fazer uso de outras medicações e isso deverá ser estritamente tratado com um médico, não um nutricionista!

Não é preciso que a pessoa tenha uma insônia incontrolável para se beneficiar da melatonina. Há aquela espécie de sono de má qualidade, que geralmente é sinônimo de horas para começar a dormir, acordar diversas vezes durante a noite sem sustentar o sono e começar a manhã se sentido quebrado e nenhum pouco descansado, que também pode ser melhorada com o hormônio, pois com um sono profundo você logo se restaura mais rápido. O ideal seria atingir a “fase REM” do sono, realmente restauradora e benéfica tanto para a produção de melatonina quanto para o nosso bem estar físico e mental. É por isso que a reposição deste hormônio pode ser benéfica para quem sofre com a melatopausa e insônia.

Melatonina no Brasil – como estamos?

Em outubro deste ano (2016) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, parcialmente, a comercialização da melatonina. Está liberada a compra e venda no país por farmácias de manipulação da melatonina. Seu acesso é determinado apenas como insumo farmacêutico e sob prescrição médica.

No momento, apenas uma empresa, a Active Pharmaceutica, recebeu  permissão para importá-la e vendê-la a farmácias de manipulação.

Vamos entender: A 3ª Vara Federal do Distrito Federal concedeu autorização para a empresa Active Pharmaceuticals importar e comercializar melatonina para farmácias de manipulação. A substância, que ainda não tem registro na Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, precisava ser importada pelos pacientes, mesmo portando receita médica. Estados Unidos e Europa já comercializam amplamente como suplemento. Em comunicado, a Anvisa informou: “Há um pedido de registro de um produto com o princípio ativo melatonina que foi protocolado em 05 de outubro de 2015 e está sob a análise da Agência. A análise visa estabelecer a segurança e a eficácia deste princípio ativo. Após sua conclusão, quando o registro for concedido, o produto poderá ser comercializado no país.”

Esta reportagem sobre este novo desfecho em relação ao acesso da melatonina pode ser lida e compreendida também nesta reportagem da Gazeta do Povo – Melatonina no Brasil só com prescrição médica.

Numa busca por uma informação formal da Anvisa, a última abordagem deste assunto – a que se tem acesso publicamente, é esta – emitda em nota de 21/06/16 por sua assessoria de imprensa, na qual a Agência esclarece que:

“Não há medicamento registrado com o princípio ativo melatonina no Brasil. Isso porque não há solicitação de registro desta substância como medicamento. Dessa forma, a melatonina nunca foi avaliada pela Anvisa em relação aos critérios de segurança e eficácia, o que impede a sua comercialização no país. No entanto, a legislação garante que pacientes que recebam a indicação de uso deste produto por um profissional médico possam importar para uso, seja via bagagem de mão ou mesmo pela internet. As autoridades sanitárias podem solicitar a receita médica na entrada do produto no país. Enfim, o consumo é permitido, mas a comercialização no Brasil, não. Com isso, sites nacionais não podem vender o produto, por exemplo. Importante destacar que o comércio da melatonina pela internet ou em estabelecimentos é proibido porque o produto não tem registro.  E não porque a substância seja proibida.”

Cabe avaliar aqui que o que ocorre no Brasil é que como possivelmente nenhuma indústria tenha entrado com pedido de registro de melatonina, a Agência não tenha “chancelado” seu uso. Como a nota mesmo diz “e não porque a substância seja proibida.”

Muito além do sonoestudos recentes tem apontado que os benefícios da melatonina vão muito além de noites bem dormidas. Há indícios que este hormônio possa impactar no controle do diabetes, combate a enxaqueca, reduz risco de desenvolvimento de cânceres. Uma grande reportagem publicada em 2013 e atualizada em janeiro deste ano (2016) pela revista brasileira “Isto É” mostrou estudos que evidenciam estas propriedades “além sono” ligadas à melatonina. Confira “O super-hormônio.

Naturais

Há diversas substâncias naturais, como eu normalmente prescrevo, à base de mulungu, passiflora, valeriana, melissa, magnésio, o GABA (ácido gama-aminobutírico). Eu não vou responder nada sobre indicação de doses, pois para isso é preciso conhecer a pessoa e suas necessidades específicas. Uma boa nutricionista, um bom profissional vai saber lhe ajudar. Esclareço que em doses ajustadas, elas induzem ao relaxamento, diminuem a aceleração cerebral, mas é necessário que você pratique ações que auxiliem a dormir bem. Porque não são psicotrópicos, que fazem a pessoa “apagar”. São naturais, então, interagem harmonicamente com seu organismo de forma a serem ferramentas complementares às demais atitudes de relaxamento antes de se deitar.